sábado, 30 de junho de 2012

PRETOS, BRANCOS, ESQUERDA, DIREITA!

O censo do IBGE atualizou os dados da população, relativos à última pesquisa. Os  resultados foram divulgados nesta semana.
Para variar, a questão relativa ao que tange pretos e brancos chama a atenção.
Num país que se vangloria de sua "convivência racial pacífica", os indicadores deixam muito a desejar.
Ainda é notória a nossa herança maldita advinda de uma abolição que não gerou igualdade, e sim novas formas de discriminação.
Recentemente, o filósofo Vladimir Safatle publicou o livro "A esquerda que não teme dizer seu nome". Neste livro, reatualiza os valores que regem os postulados do pensamento de esquerda. Entre estes, o universalismo e o igualitarismo. Nestes conceitos, é explícito que todos nós, seres humanos,  devemos ter, sem nenhuma exceção, os mesmos direitos.
Num país como este, que aposta de forma recorrente em discursos  e práticas hipócritas, é ridículo afirmar que somos uma democracia racial. Se fôssemos mesmo a tal democracia racial, pretos não ganhariam menos que brancos nas mesmas funções, e nem seriam discriminados simplesmente por terem a cor da pele escura. Vide as estatísticas policiais a nos atualizar: os mortos na periferia de São Paulo, em sua maioria, são jovens negros e oriundos de camadas pobres da população.
Já passou da hora dos conceitos do universalismo e do igualitarismo fazerem parte, de fato, das leis e das práticas que nos regem!   

terça-feira, 19 de junho de 2012

"ISSO TE INTERESSA?"

Globalização!
Vivemos tempos onde todas as questões, por mais regionais que sejam, são discutidas em fóruns globais.
Vide a "RIO + 20".
Porém, por mais que sejamos "globais", não consigo deixar de me interessar pelas questões da intimidade, das relações em núcleos menores, dos detalhes.
E de detalhes e intimidades difusas, confusas, é composto o espetáculo "Isso Te Interessa?".
Criação da Companhia Brasileira de Teatro e dirigido por Marcio Abreu, o espetáculo "desnuda" questões comezinhas que grande parte da população insiste em fechar os olhos, por banalizar as vivências cotidianas.
Conceitos caros para a psicanálise como inconsciente e  compulsão à repetição, que nos remetem para as "neuroses nossas de cada dia"  me saltaram aos olhos neste espetáculo!
O texto é tão bom e as interpretações tão competentes que, como poucas vezes acontece, sai satisfeita do teatro por ter desfrutado de algo que faz sentido para mim!

terça-feira, 22 de maio de 2012

NADA DE NOVO

Sabe aqueles momentos onde tudo parece estar no mesmo lugar há tempo demais?
Pois é,  para mim estes momentos são difíceis.
Sei que as coisas vão mudar, já estão tomando novos rumos, porém, o período de transição demora, empaca e gera um tédio...
E, de tédio em tédio tento ver se consigo perceber algo que realmente valha a pena!

sábado, 5 de maio de 2012

VAZIO...

Parece que desde o século 18, com o advento do capitalismo, as sociedades vivem uma crescente sensação de que tudo é rápido demais!
E, na contemporaneidade, com a globalização vertiginosa dos meios de comunicação, das redes sociais e do consumo como o grande senhor a ditar normas, sinto como se todo o tempo tudo fosse demais!
As pessoas falam demais, compram demais, se drogam demais, e tudo é... demais!
E, o grande paradoxo é que, com tanta coisa ocorrendo ao mesmo tempo, é epidêmica a sensação de vazio e de falta de significado que muitas pessoas relatam nos consultórios de diversos médicos e psicoterapeutas. A depressão é o sintoma que mais assola a população!
Contradições e contradições  sempre a nos contradizer!
No tempo onde tudo é demais, o que parece predominar é um GRANDE VAZIO!

quarta-feira, 11 de abril de 2012

O QUE SEMPRE NOS RONDA...

Li, recentemente, um artigo onde a autora esclarece pontos importantes sobre a "personalidade autoritária". Aqui faço minhas interpretações sobre o que li.

Tal personalidade, nos dias atuais, costuma se travestir de um ser modernoso, antenadíssimo em tudo o que rola no mundo, articulado e bom ator (sim, bom ator). Porque o ser em questão, por mais jovem que seja, pousa de professor sabe tudo. Não se permite dizer que não sabe algo.
Somente por isso, já é um chato. Porque, imagina, não há diálogo que sobreviva. Somente monólogo, porque, afinal de contas, o ser sabe tudo.

Mas, é só apertar um pouquinho que o ser "espana". Não se responsabiliza por nada, não assume nada, e não defende ninguém, a não ser a si, mesmo quando a situação que colocou alguém em dificuldade foi criada por ele.

O mais assustador, em nossos dias, é que este tipo de pessoa está sendo cada vez mais presente nos diversos espaços. E, como "obedece cegamente" a hierarquia, mesmo quando esta pode estar equivocada, tem ocupado lugares importantes.

Penso que, (resumindo muito), o grande imperativo de boa parte de pessoas que tem posições de destaque na sociedade atual, é o imperativo da perversão! São seres perversos que querem seguir somente suas próprias leis. Parece contraditório, mas não é... Seguem "cegamente" a hierarquia, porque se mimetizam com o sistema que pode ter raízes autoritárias, que atende perfeitamente a perversão que carregam.

Isto é perigoso! Porque as personalidades autoritárias que estão sempre nos rondando são "loucas" para instalar um clima nazifascista! Porque entendem que precisam obter "obediência" gerando insegurança e medo. Algo mais infantilizado do que querer obter obediência de adultos?
De adultos, espera-se o diálogo, com argumentos e contra argumentos! Não obediência.

Pois é! Por este motivo, não se renda e nem abra mão de seu exercício de pensamento, reflexão e crítica! Porque com inteligência e bons argumentos, o fascista terá mais dificuldades em manter seus postulados.

domingo, 11 de março de 2012

"...ESSES OLHOS TÃO GRANDES..."

Muitos de nós lemos, ouvimos histórias e assistimos filmes e espetáculos sobre o clássico conto "Chapeuzinho Vermelho", escrito, segundo consta, pelo francês Charles Perrault há aproximadamente 400 anos atrás.

Pois bem, assisti a mais uma adaptação livre deste clássico, realizada pela Cia. Mevitevendo.

O método de trabalho que esta Companhia utiliza, baseado no teatro de animação gera resultados surpreendentes. Os bonecos são sempre esquisitos, desengonçados, e o mundo em que vivem é sempre meio escuro, sombrio e aterrorizador. Parece algo do realismo fantástico alemão. É como se estivessemos dentro, no universo onírico dos personagens.
E, como o público alvo, em tese, são as crianças, quando estes começam a assistir ao espetáculo, a surpresa, um certo hipnotismo e estranhamento são praticamente automáticos. A utilização da metalinguagem e do jogo, dentro do jogo cênico, não subestimam um milímetro da inteligência infantil.

O própio nome da Companhia sempre me agradou. "Mevitevendo".
Que incríveis esses aforismos linguísticos que já apontam um percurso utilizado pela Companhia.
O simbólico e o imaginário se misturam ao real, apontando situações vividas de formas constantes por crianças, mas que insistimos em não querer falar a respeito ou simplesmente fingimos que não existem.

Voltando à questão dos nomes:
O espetáculo se chama "Esses Olhos Tão Grandes"! No caso, os olhos grandes são da pequena menina, que mesmo "pequena" já enxerga muito bem as artimanhas e sutilezas do mundo adulto.

Os contos originais não maquiavam em nada o sadismo, cinismo e crueldade de adultos em relação às crianças, como muitas adaptações (principalmente as de Walt Disney) insistem em fazer todo o tempo. Ainda bem que a Cia Mevitevendo não entrou nessa "Disneylização" dos contos para crianças.
Trata-se de um teatro bom, inteligente e sensível! Para aguçar inteligência e sentidos!

Recomendo.

"Esses Olhos Tão Grandes"
Texto, direção, atuação, bonecaria, produção e trilha sonora: Márcia Fernandes e Cleber Laguna - Cia. Mevitevendo
Operação de luz e som: Tarcísio Brum
Duração: 50 minutos

Até dia 08 de abril

SESC Belenzinho
Rua Padre Adelino, 1000
Sábados e domingos, 12h.

sábado, 10 de março de 2012

CALOTES E CALOTES...

A Grécia, berço da democracia ocidental, como aprendemos nas aulas de história e filosofia, fêz um acordo para dar um calote de forma "legal".

É bom ler esta notícia! Democracias e democracias a parte, é bom que existam possibilidades de se exercer, mesmo que forçosamente acordos como este. Muitos dos credores, segundo notícias, vão ter grandes perdas. Mas, por outro lado, estes mesmos credores já não tem explorado demasiadamente muitos países, com seus povos vivendo no limite em vários aspectos?

Que me amaldiçoem os economistas, mas eu adorei este calote! E, que, a reboque deste, venham mais calotes!

E, UM VIVA PARA OS GREGOS!