Estou em Portugal. Hoje, sexta feira da Paixão, estou numa cidade chamada Braga, próxima à região do Porto.
Esta cidade tem aproximadamente 180.000 habitantes e é uma guardiã de tradições religiosas católicas. Nesta Semana Santa, comemoram-se de forma intensa os rituais relativos aos acontecimentos narrados na Bíblia cristã. São muitas procissões, muitas missas, muitos rituais.
Com todo o processo de globalização econômica que solapa tradições, é interessante estar nesta cidade, numa Semana Santa. Pude experimentar uma sensação de "suspensão temporal". Hoje, ao caminhar tranquilamente pela cidade, ouvi cantos gregorianos. Comecei a "seguir" o som para chegar à igreja onde estavam sendo entoados. Experiência diferenciada, ser guiada por uma melodia delicada no meio de uma cidade como essa. É como se por alguns momentos o tempo parasse em um outro momento histórico.
Escrevo aqui de sentimentos, de subjetividade, de delicadezas... De ser tocada por uma emoção despertada por um canto gregoriano em plena Semana Santa.
Não há aqui pretensão de pensar sociologicamente o fenômemo religioso desta cidade. Nem de fazer apologias religiosas. Somente compartilhar de uma sensação boa e delicada, vivida neste momento importante da tradição cristã.
Em tempos de vertiginosa mudança dos modos de vida, marcada por fortes pressões midiáticas, sociais e econômicas, tem sido um privilégio experimentar esta sensação em Braga.
Desejo a todos, todos sem exceção, cristãos ou não, uma BOA PÁSCOA!
Este não é um blog da cachaça 51. É um singelo blog que serve como instrumento para que sua redatora amplie a busca por sentidos possíveis!
sexta-feira, 29 de março de 2013
domingo, 10 de fevereiro de 2013
AMOR AMORES PONTOS DE INTERROGAÇÃO
AMOR...
Minha humilde tentativa aqui, se pauta na perspectiva de realizar possíveis reflexões sobre o AMOR, pensando no filme de mesmo nome, dirigido por Michael Haneke.
Europa. França, Paris. Um casal de velhos, casados há muitos anos. O Diretor já busca a cumplicidade do espectador na primeira cena, de imediato. É como se estivéssemos "entrando dentro" de nós mesmos, por meio da capacidade e competência que este Diretor tem de trabalhar temas universais dentro de dramas íntimos.
Sempre tive o privilégio de conviver com pessoas inteligentes. E, na minha juventude (pensando entre meus 20 até 29 anos), convivi por mais tempo com um grupo de pessoas, com as quais conversávamos sobre tudo que vinha à baila. E, claro, na efervescência de nossas curiosidades, juventudes, imaturidades e ingenuidades, ficávamos a nos indagar sobre o que de fato era o AMOR.
Naquele contexto, todos nós, ainda, éramos românticos. E, cada um à sua maneira foi descobrindo e vivendo as próprias experiências amorosas.
Relembrando questões inerentes a este período da minha vida, e pensando nas questões apontadas pelo filme, percebo o quanto ainda somos surpreendidos pela vida, pela nossa imaturidade, vaidades, enfim, somos surpeendidos por nossa humanidade a todo o tempo, e por tudo o que esta nos apresenta em nossa breve jornada por aqui.
Amar, pensando deste momento da minha vida, nada tem de romântico. Claro que existem romantismos possíveis, datados, de pequenos gestos. Porém, o amor, em toda a sua complexidade me faz pensar em cumplicidade, seja ela de que natureza for.
Amar alguém é ser cúmplice, é ter cumplicidade. Saber ficar, saber partir, aprender a ceder e a não ceder as vezes, saber calar, poder falar, saber voltar... Sempre!
Minha humilde tentativa aqui, se pauta na perspectiva de realizar possíveis reflexões sobre o AMOR, pensando no filme de mesmo nome, dirigido por Michael Haneke.
Europa. França, Paris. Um casal de velhos, casados há muitos anos. O Diretor já busca a cumplicidade do espectador na primeira cena, de imediato. É como se estivéssemos "entrando dentro" de nós mesmos, por meio da capacidade e competência que este Diretor tem de trabalhar temas universais dentro de dramas íntimos.
Sempre tive o privilégio de conviver com pessoas inteligentes. E, na minha juventude (pensando entre meus 20 até 29 anos), convivi por mais tempo com um grupo de pessoas, com as quais conversávamos sobre tudo que vinha à baila. E, claro, na efervescência de nossas curiosidades, juventudes, imaturidades e ingenuidades, ficávamos a nos indagar sobre o que de fato era o AMOR.
Naquele contexto, todos nós, ainda, éramos românticos. E, cada um à sua maneira foi descobrindo e vivendo as próprias experiências amorosas.
Relembrando questões inerentes a este período da minha vida, e pensando nas questões apontadas pelo filme, percebo o quanto ainda somos surpreendidos pela vida, pela nossa imaturidade, vaidades, enfim, somos surpeendidos por nossa humanidade a todo o tempo, e por tudo o que esta nos apresenta em nossa breve jornada por aqui.
Amar, pensando deste momento da minha vida, nada tem de romântico. Claro que existem romantismos possíveis, datados, de pequenos gestos. Porém, o amor, em toda a sua complexidade me faz pensar em cumplicidade, seja ela de que natureza for.
Amar alguém é ser cúmplice, é ter cumplicidade. Saber ficar, saber partir, aprender a ceder e a não ceder as vezes, saber calar, poder falar, saber voltar... Sempre!
segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
SIMPLICIDADES COMPLEXIDADES
"...Ora, direis, ouvir estrelas!" canta o poeta.
"...Sim, temos olhos e ouvidos para os signos que expressam o novo. Na vida, nossos passos são conduzidos por estrelas, sonhos e ambições que simbolizam a fonte de felicidade. Nunca estamos satisfeitos com o que somos ou temos. Feitos de matéria transcendente, trafegamos no labirinto da existência seduzidos pelo absurdo, mas famintos de absoluto.
Hoje, nosso mal estar advém desse horizonte estreito em que miramos estrelas cadentes; raras ascendentes. Iniciamos o século e o milênio como aprendizes de deuses, capazes de engendrar a vida em provetas e possuir olhos eletrônicos, sem, no entanto, erradicar a fome, a desigualdade, a injustiça.
Somos órfãos da esperança. Quase tudo está ao alcance do poder do dinheiro, exceto o que mais carecemos: um sentido para a vida. Calam-se as filosofias, confinadas aos limites da linguagem; desaparecem as utopias, travestidas no mesquinho desejo de poder e posse de refinados objetos; enquanto as religiões cedem às exigências do Mercado e oferecem o lúdico a quem busca luz, sem abrir as portas que nos conduzam à inefável experiência de Deus.
E agora José? Agora é mudar os sentidos do Natal e a nós próprios. Procurar o brilho da estrela (que orientava os Reis Magos) em nossas inquietações mais profundas. Descobrir a presença do Menino Jesus em nosso coração. E, como sugeriu Jesus a Nicodemos, ousar renascer em gestos de carinho e justiça, solidariedade e alegria..."
(Frei Betto)
"...Sim, temos olhos e ouvidos para os signos que expressam o novo. Na vida, nossos passos são conduzidos por estrelas, sonhos e ambições que simbolizam a fonte de felicidade. Nunca estamos satisfeitos com o que somos ou temos. Feitos de matéria transcendente, trafegamos no labirinto da existência seduzidos pelo absurdo, mas famintos de absoluto.
Hoje, nosso mal estar advém desse horizonte estreito em que miramos estrelas cadentes; raras ascendentes. Iniciamos o século e o milênio como aprendizes de deuses, capazes de engendrar a vida em provetas e possuir olhos eletrônicos, sem, no entanto, erradicar a fome, a desigualdade, a injustiça.
Somos órfãos da esperança. Quase tudo está ao alcance do poder do dinheiro, exceto o que mais carecemos: um sentido para a vida. Calam-se as filosofias, confinadas aos limites da linguagem; desaparecem as utopias, travestidas no mesquinho desejo de poder e posse de refinados objetos; enquanto as religiões cedem às exigências do Mercado e oferecem o lúdico a quem busca luz, sem abrir as portas que nos conduzam à inefável experiência de Deus.
E agora José? Agora é mudar os sentidos do Natal e a nós próprios. Procurar o brilho da estrela (que orientava os Reis Magos) em nossas inquietações mais profundas. Descobrir a presença do Menino Jesus em nosso coração. E, como sugeriu Jesus a Nicodemos, ousar renascer em gestos de carinho e justiça, solidariedade e alegria..."
(Frei Betto)
domingo, 23 de dezembro de 2012
CADA DIA
Na Bíblia há uma passagem - onde Jesus responde - para alguém que o questiona de forma ansiosa:
"...basta a cada dia o seu próprio mal..."
Pensando sobre isso num bom momento de férias, com paisagens inspiradoras, só confirmo que esta é uma das mais verdadeiras afirmações para uma vida saudável.
Não excluo as necessidades da vida de nós, meros mortais: trabalho, educação, moradia, saúde, relacionamentos, etc, etc...
Porém, para mim, de nada vale vivermos nossa vida, se não conseguirmos "respirar", "pausar" e saber o que cada momento requer, e que o realmente vale a pena para cada um.
Escrevo para mim mesma... talvez eu necessite mais dessas doses homeopáticas de sabedoria...
DESEJO A TODOS NÓS UM NATAL ILUMINADO!
"...basta a cada dia o seu próprio mal..."
Pensando sobre isso num bom momento de férias, com paisagens inspiradoras, só confirmo que esta é uma das mais verdadeiras afirmações para uma vida saudável.
Não excluo as necessidades da vida de nós, meros mortais: trabalho, educação, moradia, saúde, relacionamentos, etc, etc...
Porém, para mim, de nada vale vivermos nossa vida, se não conseguirmos "respirar", "pausar" e saber o que cada momento requer, e que o realmente vale a pena para cada um.
Escrevo para mim mesma... talvez eu necessite mais dessas doses homeopáticas de sabedoria...
DESEJO A TODOS NÓS UM NATAL ILUMINADO!
quinta-feira, 20 de dezembro de 2012
FÉRIAS
COMO JÁ VATICINOU NIETZSCHE: A VIDA É FEITA DE MOMENTOS FELIZES!
E ESTE É UM DELES...
COMPARTILHADO COM MUITO PRAZER E ALEGRIA POR MIM E PELA MINHA LINDA SOBRINHA BEATRIZ!
FELICIDADE E REFLEXÃO: COMBINAM MUITO....
sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
REPETINDO O QUE FAZ SENTIDO
SOPHIA
Sophia é a palavra grega para sabedoria. E desenvolver a sabedoria está diretamente relacionado com a reflexão, com a sensibilidade adquirida pela vivência diária, com a convivência entre diferentes. No dicionário, algumas palavras sinônimas de sabedoria são: prudência, moderação, sensatez, conhecimento justo das circunstâncias.
Vivemos tempos, principalmente nas grandes metrópoles, onde as pessoas se submetem a tantos afazeres, tempos em que a questão do ter é sempre posta em maior evidência, que as qualidades acima - sinônimas da palavra sabedoria - estão ficando raras. Qualidades que nós, os humanos, deveriamos honrar. Infelizmente somos negligentes em muitas ocasiões, onde as qualidades acima são essenciais. Nos apressamos em pré julgar, em fazer leituras preconceituosas e distorcidas, justificando que não temos tempo para ouvir, para conviver, para nos relacionar, porque estamos sempre muito ocupados. Somos seres perdidos em nossas próprias construções sociais. Falta-nos, quase sempre, a boa dose de sabedoria cotidiana.
Neste exato momento, de férias numa cidade muito inspiradora, esta "sabedoria" do viver cada dia faz mais sentido ainda!!! E remete para a necessidade preciosa de pararmos de tempos em tempos... Vivemos tempos, principalmente nas grandes metrópoles, onde as pessoas se submetem a tantos afazeres, tempos em que a questão do ter é sempre posta em maior evidência, que as qualidades acima - sinônimas da palavra sabedoria - estão ficando raras. Qualidades que nós, os humanos, deveriamos honrar. Infelizmente somos negligentes em muitas ocasiões, onde as qualidades acima são essenciais. Nos apressamos em pré julgar, em fazer leituras preconceituosas e distorcidas, justificando que não temos tempo para ouvir, para conviver, para nos relacionar, porque estamos sempre muito ocupados. Somos seres perdidos em nossas próprias construções sociais. Falta-nos, quase sempre, a boa dose de sabedoria cotidiana.
QUE BOM!
sábado, 3 de novembro de 2012
VIVER MORRER MORRER VIVER
O dia de "Finados", com suas diversas expressões, reatualiza-nos sobre nossa finitude.
Cada um de nós, a sua maneira (orações, visitas a cemitérios, choros) velamos por nossos mortos..
Talvez, até para a elaboração de que também morreremos.
A questão se istala aí: também morreremos. Para mim, a qualidade de nossa vida está diretamente vinculada à relação que estabelecemos com nossa finitude.
A insistência da sociedade contemporânea em investir cada vez mais em subterfúgios técnicos e instrumentais para "retardar" o processo de envelhecimento e morte me sugere que as pessoas vivem cada vez pior. Por viverem de forma superficial, sem entrar em contato com suas próprias questões mais profundas, precisam de "atalhos artificiais" que criam uma certa ilusão de juventude eterna e imortalidade.
Estão ai:
- as estatísticas da chamada "estética sintética": cirurgias plásticas feitas por puro narcisismo, sem necessidades reais.
- as internações em UTI's - ambientes sem nenhum aconchego e afeto - que se prolongam, muitas vezes por insistência familiar, sem que o moribundo tenha qualidade genuina dos dias vividos, e onde não pode desfrutar da presença das pessoas com quem passou a maior parte de sua vida. Ironicamente, na hora de sua morte, não pode receber o toque de carinho, tão vital. É relegado a um ambiente hospitalar, com equipes distantes, que muito raramente, se dispõem à uma conversa digna com a família.
Oxalá Deus me conceda a graça de morrer dignamente, no aconchego do ambiente que me apraz, desfrutando o maior tempo possível da companhia das pessoas queridas. Porque morrer assim, significa que vivo assim, com dignidade, prazer e convivência genuina.
Vida e Morte fazem parte do mesmo ciclo, mesmo que a negação disso seja a pauta de nossos dias.
VIVER MORRER MORRER VIVER...
Cada um de nós, a sua maneira (orações, visitas a cemitérios, choros) velamos por nossos mortos..
Talvez, até para a elaboração de que também morreremos.
A questão se istala aí: também morreremos. Para mim, a qualidade de nossa vida está diretamente vinculada à relação que estabelecemos com nossa finitude.
A insistência da sociedade contemporânea em investir cada vez mais em subterfúgios técnicos e instrumentais para "retardar" o processo de envelhecimento e morte me sugere que as pessoas vivem cada vez pior. Por viverem de forma superficial, sem entrar em contato com suas próprias questões mais profundas, precisam de "atalhos artificiais" que criam uma certa ilusão de juventude eterna e imortalidade.
Estão ai:
- as estatísticas da chamada "estética sintética": cirurgias plásticas feitas por puro narcisismo, sem necessidades reais.
- as internações em UTI's - ambientes sem nenhum aconchego e afeto - que se prolongam, muitas vezes por insistência familiar, sem que o moribundo tenha qualidade genuina dos dias vividos, e onde não pode desfrutar da presença das pessoas com quem passou a maior parte de sua vida. Ironicamente, na hora de sua morte, não pode receber o toque de carinho, tão vital. É relegado a um ambiente hospitalar, com equipes distantes, que muito raramente, se dispõem à uma conversa digna com a família.
Oxalá Deus me conceda a graça de morrer dignamente, no aconchego do ambiente que me apraz, desfrutando o maior tempo possível da companhia das pessoas queridas. Porque morrer assim, significa que vivo assim, com dignidade, prazer e convivência genuina.
Vida e Morte fazem parte do mesmo ciclo, mesmo que a negação disso seja a pauta de nossos dias.
VIVER MORRER MORRER VIVER...
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