Pelo que compreendo, estoicos são aqueles que mantém uma certa postura de "indiferença", seja qual for a situação. Não esboçam reações mediante situações de tristezas, alegrias, tragédias.
Algumas leituras que fiz sobre Sigmund Freud lhe classificam como um estoico. Um homem que conseguiu manter a "indiferença" mediante as situações mais extremas. Perdeu uma filha ainda jovem e dois filhos foram para a guerra.
Desconfio desta (mais uma) classificação que deram a Freud, porque pelas leituras, pude depreender que ele viveu intensamente sua vida. Parece-me que manteve serenidade mediante suas dificuldades, mas sentiu de forma intensa tudo o que padeceu, se alegrou com suas descobertas e desfrutou ainda em vida de certos reconhecimentos.
Fiquei a pensar sobre isso, sobre "ser estoico" e os desdobramentos desta atitude. Alguns filósofos destacam o estoicismo como virtude, algo a ser adotado. Não sei se, por ignorância, ou falta de condições psíquicas, penso que adotar uma forma de viver que prime por uma postura estoica me parece bem difícil. Parece que se faz necessário não sentir. E, como não sentir? Podemos até manter uma postura mais distanciada de certas coisas, ficar alheios em certas situações, mas até isso é demonstração de que nos protegemos de determinadas coisas ou situações que nos afetam.
Me parece impossível não se deixar afetar. Com o amadurecimento, até conseguimos ter menos reações passionais, porque várias delas são mesmo sinal de imaturidade. Porém, diante de certas situações como agir, ou não agir?
Gostaria muito que pessoas que entendem mais sobre este termo e esta "forma de ser" pudessem me apresentar seus argumentos. Fiquei muito curiosa a respeito.
Não podemos confundir estoicismo com determinadas psicopatologias, entre elas a perversão e a psicopatia. Psicopata é aquele que, de fato, não sente. De fato não se importa. Mas este conceito se enquadra num tipo de doença psíquica. Não é disso que trato aqui. Minha curiosidade se dirige a pessoas que entendem que existem seres que adotam o estoicismo como jeito de viver ou "são estoicos" mesmo.
Alguém aí se habilita a me fornecer mais dados a respeito?
Este não é um blog da cachaça 51. É um singelo blog que serve como instrumento para que sua redatora amplie a busca por sentidos possíveis!
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
BRINCADEIRA DE CRIANÇA
Poucas coisas me agradam neste período de "comemorações". Uma dessas coisas são as brincadeiras e diversões que os pequenos com os quais convivo me propiciam.
E, como nestes dias convivo mais tempo com eles, posso prestar e dar mais atenção a todos e em troca receber um carinho enorme.
Adoro os pequenos e suas peripécias. Tudo é motivo de brincadeira e pedidos de passeios, diversões, jogos e afins!
Sem lições moralistas, é bom mesmo poder presenteá-los e desfrutar da alegria e espontaneidade de suas reações.
Uma das pequeninas é espirituosa desde cedo. Está para completar 2 anos, mas já conta com uma dose de bom humor e espirituosidade que me surpreendem sempre!
E ainda existem pessoas que desdenham e não acreditam que os pequenos são dotados de inteligência.
Todas as vezes que estou com eles neste período do ano lembro da citação bíblica, onde consta que Jesus certa feita fêz uma declaração mais ou menos assim:
- "...quem quiser herdar o Reino de Deus, precisa ser como as crianças..."
(faça a sua própria interpretação do que pode ser este Reino e porque as crianças são o alvo).
Em tempos de exageradas reações voltadas às celebridades e suas futilidades e de várias celebrações vazias, é bom estar rodeada de crianças! Elas não nos deixam esquecer o que realmente vale a pena neste curto espaço de tempo que passamos por aqui!
E, como nestes dias convivo mais tempo com eles, posso prestar e dar mais atenção a todos e em troca receber um carinho enorme.
Adoro os pequenos e suas peripécias. Tudo é motivo de brincadeira e pedidos de passeios, diversões, jogos e afins!
Sem lições moralistas, é bom mesmo poder presenteá-los e desfrutar da alegria e espontaneidade de suas reações.
Uma das pequeninas é espirituosa desde cedo. Está para completar 2 anos, mas já conta com uma dose de bom humor e espirituosidade que me surpreendem sempre!
E ainda existem pessoas que desdenham e não acreditam que os pequenos são dotados de inteligência.
Todas as vezes que estou com eles neste período do ano lembro da citação bíblica, onde consta que Jesus certa feita fêz uma declaração mais ou menos assim:
- "...quem quiser herdar o Reino de Deus, precisa ser como as crianças..."
(faça a sua própria interpretação do que pode ser este Reino e porque as crianças são o alvo).
Em tempos de exageradas reações voltadas às celebridades e suas futilidades e de várias celebrações vazias, é bom estar rodeada de crianças! Elas não nos deixam esquecer o que realmente vale a pena neste curto espaço de tempo que passamos por aqui!
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
EXPERIENCIAR...
EXPERIENCIAR...
nem sei se esta palavra consta de nosso dicionário! só sei que é esta a palavra que vem a mente em tempos de mudanças de lugares...
penso que, como humanos, é corrente se sentir deslocado, como se nenhum lugar nos pertencesse. e, de fato não nos pertence! somos finitos... o máximo que pode acontecer é desfrutarmos de determinadas situações, em determinados contextos... a isto chamo "experienciar" .
passar por experiências de deslocamentos concretos me dão a dimensão exata de nossa limitação como humanos...
como vivemos épocas de intenso narcisismo, a grande maioria faz de conta que é importante demais, imprescindível demais e daí tudo fica demais... e, assim, fica demais aguentar muita coisa dessa época marcada pelo frenesi, onde o reconhecimento das limitações e espaços de cada um vai ficando cada vez mais fluído...
tempos de frenesi...
parafraseando uma citação bíblica:
"...basta a cada época o seu próprio mal..."
nem sei se esta palavra consta de nosso dicionário! só sei que é esta a palavra que vem a mente em tempos de mudanças de lugares...
penso que, como humanos, é corrente se sentir deslocado, como se nenhum lugar nos pertencesse. e, de fato não nos pertence! somos finitos... o máximo que pode acontecer é desfrutarmos de determinadas situações, em determinados contextos... a isto chamo "experienciar" .
passar por experiências de deslocamentos concretos me dão a dimensão exata de nossa limitação como humanos...
como vivemos épocas de intenso narcisismo, a grande maioria faz de conta que é importante demais, imprescindível demais e daí tudo fica demais... e, assim, fica demais aguentar muita coisa dessa época marcada pelo frenesi, onde o reconhecimento das limitações e espaços de cada um vai ficando cada vez mais fluído...
tempos de frenesi...
parafraseando uma citação bíblica:
"...basta a cada época o seu próprio mal..."
terça-feira, 16 de novembro de 2010
MUDANÇAS...
Sempre que a possibilidade de mudança aparece no horizonte, bate um medo...
Natural, penso eu, porque quando estamos há algum tempo num contexto sem muitas alterações, as situações ficam mais conhecidas.
Porém, quando chega o momento da mudança, o sentimento de alegria e de capacidade para enfrentar novas situações é muito maior que o medo inicial.
Penso que posso relacionar estes sentimentos ao que Nietzsche chama de vontade de potência. Faz-se premente exercitarmos nossa vontade de potência, porque caso contrário é bem provável que sentimentos de desmotivação e de vitimização apareçam e tomem os pensamentos...
É bom pensar sobre isso... e, não só pensar, mas MUDAR quando o contexto onde estamos (interno ou externo) já não nos serve mais como suporte...
Quando o incômodo bate, cabem reflexões...
Natural, penso eu, porque quando estamos há algum tempo num contexto sem muitas alterações, as situações ficam mais conhecidas.
Porém, quando chega o momento da mudança, o sentimento de alegria e de capacidade para enfrentar novas situações é muito maior que o medo inicial.
Penso que posso relacionar estes sentimentos ao que Nietzsche chama de vontade de potência. Faz-se premente exercitarmos nossa vontade de potência, porque caso contrário é bem provável que sentimentos de desmotivação e de vitimização apareçam e tomem os pensamentos...
É bom pensar sobre isso... e, não só pensar, mas MUDAR quando o contexto onde estamos (interno ou externo) já não nos serve mais como suporte...
Quando o incômodo bate, cabem reflexões...
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
"HISTERIAS" - REFLEXÕES - CINCO
Os períodos eleitorais são riquíssimos em manisfestações histéricas.
Competição só mesmo no escopo religioso, onde as manifestações histérias ganham em disparada da política.
Um tipo de manifestação histérica é a atuação. Psi's gostam destes termos. Atuação é a manifestação de um sintoma psíquico através do corpo.
Exemplos disso nas igrejas e na política, entre outros, são os discursos acalorados, gestos exagerados e tarefismos. Tudo para chamar a atenção sobre si o tempo todo.
Em muitos casos, esse pode ser um quadro que necessita de cuidados específicos. Em outros, como nas eleições, faz parte do jogo, para ver quem garante sua vaga nos meandros do poder político.
Nos quadros que envolvem distúrbios psíquicos, onde a pessoa busca tratamento porque se percebe afetada, é corrente que ocorra melhora significativa de sintomas, uma vez que a pessoa, com ajuda profissional, percebe que é responsável pelos exageros, e assim, vai remodulando sua forma de ser no mundo.
O problema é grave quando estes "profissionais" da política e da religião usam de suas histerias como se este modo de agir fosse saudável, tentando convencer os cidadãos a votar ou a ser discípulos de suas legendas/igrejas. É uma das formas mais covardes de se aproveitar da boa fé de vários. E, via de regra, os benefícios (em sua maioria) são somente destes aproveitadores.
Penso que, infelizmente, como a maioria de nós padece de algum grau e algum tipo de neurose - para ser leve, (porque muitos padecem de transtornos de personalidade mais sérios, como psicopatias e perversões), estes "profissionais" da política e da religião ainda são portadores de prestígio e credibilidade... uma pena.
Para "vir a ser" adulto carecemos de alta capacidade para a reflexão e para o exercício do pensamento. E, ainda assim, sobram resíduos de infantilidade pela vida toda!
Como vivemos numa sociedade onde o exercício do pensamento e da reflexão séria ainda são "artigos de luxo", o Planalto e as Igrejas continuam cheias e sustentando os pilantras de plantão, através de nossa participação ativa, seja através do voto ou das devoções!
Alias, alguma semelhança entre voto e devoto?
Competição só mesmo no escopo religioso, onde as manifestações histérias ganham em disparada da política.
Um tipo de manifestação histérica é a atuação. Psi's gostam destes termos. Atuação é a manifestação de um sintoma psíquico através do corpo.
Exemplos disso nas igrejas e na política, entre outros, são os discursos acalorados, gestos exagerados e tarefismos. Tudo para chamar a atenção sobre si o tempo todo.
Em muitos casos, esse pode ser um quadro que necessita de cuidados específicos. Em outros, como nas eleições, faz parte do jogo, para ver quem garante sua vaga nos meandros do poder político.
Nos quadros que envolvem distúrbios psíquicos, onde a pessoa busca tratamento porque se percebe afetada, é corrente que ocorra melhora significativa de sintomas, uma vez que a pessoa, com ajuda profissional, percebe que é responsável pelos exageros, e assim, vai remodulando sua forma de ser no mundo.
O problema é grave quando estes "profissionais" da política e da religião usam de suas histerias como se este modo de agir fosse saudável, tentando convencer os cidadãos a votar ou a ser discípulos de suas legendas/igrejas. É uma das formas mais covardes de se aproveitar da boa fé de vários. E, via de regra, os benefícios (em sua maioria) são somente destes aproveitadores.
Penso que, infelizmente, como a maioria de nós padece de algum grau e algum tipo de neurose - para ser leve, (porque muitos padecem de transtornos de personalidade mais sérios, como psicopatias e perversões), estes "profissionais" da política e da religião ainda são portadores de prestígio e credibilidade... uma pena.
Para "vir a ser" adulto carecemos de alta capacidade para a reflexão e para o exercício do pensamento. E, ainda assim, sobram resíduos de infantilidade pela vida toda!
Como vivemos numa sociedade onde o exercício do pensamento e da reflexão séria ainda são "artigos de luxo", o Planalto e as Igrejas continuam cheias e sustentando os pilantras de plantão, através de nossa participação ativa, seja através do voto ou das devoções!
Alias, alguma semelhança entre voto e devoto?
domingo, 10 de outubro de 2010
CONCEITOS E PRÉ CONCEITOS...
Em todos os momentos em que o tema relativo a legalização do ABORTO volta à baila, surgem manifestações de todos os lados. Normalmente (e infelizmente), o tema volta à baila de maneira pública como mote eleitoreiro. E, como mote eleitoreiro, o terreno se torna sempre fértil para distorções e pré conceitos.
Assim, a discussão séria e fundamentada que ocorre em diversos setores da sociedade fica restrita a estes mesmos setores, sem ampla divulgação.
Quando temas como a legalização do ABORTO são tratados de maneira utilitária, não existe avanço na discussão e nem explicações fundamentadas.
Avançar significa expandir o pensamento sobre:
- educação de qualidade
- especificidades relativas à saúde da mulher
- direitos civis
- sociedade machista
- religião
- ética e moral
entre outros.
Como pensar é um artigo de luxo, imagina expandir o pensamento para que os conceitos e os pré conceitos possam ser postos sob a luz da inteligência, da lei e da sensatez!
Desta maneira, como em todo período eleitoral, não são discutidos os principais pontos que nortearão o próximo governo. E, de eleição em eleição, o jogo sujo e o oportunismo crescem vertiginosamente as custas de temas sérios, fundamentais e urgentes.
BRASIL...MOSTRA A TUA CARA!
Assim, a discussão séria e fundamentada que ocorre em diversos setores da sociedade fica restrita a estes mesmos setores, sem ampla divulgação.
Quando temas como a legalização do ABORTO são tratados de maneira utilitária, não existe avanço na discussão e nem explicações fundamentadas.
Avançar significa expandir o pensamento sobre:
- educação de qualidade
- especificidades relativas à saúde da mulher
- direitos civis
- sociedade machista
- religião
- ética e moral
entre outros.
Como pensar é um artigo de luxo, imagina expandir o pensamento para que os conceitos e os pré conceitos possam ser postos sob a luz da inteligência, da lei e da sensatez!
Desta maneira, como em todo período eleitoral, não são discutidos os principais pontos que nortearão o próximo governo. E, de eleição em eleição, o jogo sujo e o oportunismo crescem vertiginosamente as custas de temas sérios, fundamentais e urgentes.
BRASIL...MOSTRA A TUA CARA!
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
"A REVOLUÇÃO SOMOS NÓS" - REFLEXÕES - QUATRO
Esta frase "A Revolução Somos Nós" é de autoria de Joseph Beuys, alemão, nascido em 12/5/1921, falecido em 23/01/1986 na cidade de Dusseldorf.
Neste ano, São Paulo recebe entre 16/9 a 28/11 a maior retrospectiva dedicada a Joseph Beuys, considerado um dos maiores expoentes da Arte Contemporânea do Século XX.
Escultor, performer, com diversos trabalhos também em vídeos e instalações.
Consta que, durante a Segunda Guerra Mundial, o avião em que Beuys estava, como piloto de caça, foi abatido pelos inimigos e caiu na Floresta da Criméia. Seu companheiro morreu e ele foi encontrado por uma tribo de nômades que cuidou dele por algum tempo usando gordura e feltro. O quanto deste fato - ser cuidado por uma tribo de nômades - é ficção ou realidade, não se sabe.
Ouvindo uma pesquisadora abordar este assunto, achei muito interessante o aspecto colocado sobre "a fabulação" da própria história.
Após este período, quando Beuys se recuperou, decidiu tornar-se artista.
Tenho participado, devido ao meu trabalho, de um grupo de estudos sobre este artista. E, fiquei pensando e fantasiando sobre o motivo dele ter proclamado que "A REVOLUÇÃO SOMOS NÓS". Penso que passar por um "renascimento" como ele passou, gera um desejo de se tornar mais "potente" (para aqueles que saem destas experiências de forma mais amadurecida).
Potente no sentido de expressar à potência da vida em oposição à potência da morte. Beuys era piloto do exército alemão na Segunda Guerra. Após o revés, decide tornar-se artista!
Beuys utilizou muita gordura e feltro - material constante em suas obras. Sua experiência "na floresta", revolucionou sua vida!
Todos passamos por situações limite em um momento ou outro da vida. As diferenças entre as pessoas se manifestam bem aí: uns se fortalecem e amadurecem para a vida. Outros definham, ficam profundamente traumatizados ou tornam-se frustrados, infantilizados e amargurados, presos à rede emaranhada de uma vivência ruim.
Nestas circunstâncias, a estrutura psíquica será fundamental para definir o rumo de cada um.
"Ser uma revolução" não é tarefa simples. Exige de cada um profunda reflexão sobre valores, princípios, contradições e coerências. Porém, é a maior revolução: a revolução de si!
Quando Joseph Beuys propõe a criação de uma UNIVERSIDADE LIVRE, penso que a proposta vai na direção de que cada um saia de sua zona de conforto e se lance no embate, com suas mais profundas convicções. E, desfrutando da liberdade de experimentar a sua própria criatividade, possa se tornar um agente revolucionário.
As reflexões deste grupo de que tenho participado (de forma parcial) gira em torno de três eixos: criatividade, revolução e utopia. Quanta coisa para pensar! Uma delas passa pela reflexão sobre aspectos cristalizados dentro de si, imagino!
São muitas idéias girando aqui na caxola... tudo meio confuso. Mas, acho que ainda, muitas outras reflexões surgirão. Para contribuir no percurso pela contínua revolução de si.
Oxalá, que estas revoluções de si sejam importantes nas contribuições sociais dentro dos microssistemas onde estou inserida.
Este, me parece, é um dos pontos cruciais na proposta de Beuys!
CONFIRA - EXPOSIÇÃO - JOSEPH BEUYS: a revolução somos nós
Sesc Pompeia
Rua Clélia, 93
16/09 a 28/11
terça a domingo
10h às 20h
Neste ano, São Paulo recebe entre 16/9 a 28/11 a maior retrospectiva dedicada a Joseph Beuys, considerado um dos maiores expoentes da Arte Contemporânea do Século XX.
Escultor, performer, com diversos trabalhos também em vídeos e instalações.
Consta que, durante a Segunda Guerra Mundial, o avião em que Beuys estava, como piloto de caça, foi abatido pelos inimigos e caiu na Floresta da Criméia. Seu companheiro morreu e ele foi encontrado por uma tribo de nômades que cuidou dele por algum tempo usando gordura e feltro. O quanto deste fato - ser cuidado por uma tribo de nômades - é ficção ou realidade, não se sabe.
Ouvindo uma pesquisadora abordar este assunto, achei muito interessante o aspecto colocado sobre "a fabulação" da própria história.
Após este período, quando Beuys se recuperou, decidiu tornar-se artista.
Tenho participado, devido ao meu trabalho, de um grupo de estudos sobre este artista. E, fiquei pensando e fantasiando sobre o motivo dele ter proclamado que "A REVOLUÇÃO SOMOS NÓS". Penso que passar por um "renascimento" como ele passou, gera um desejo de se tornar mais "potente" (para aqueles que saem destas experiências de forma mais amadurecida).
Potente no sentido de expressar à potência da vida em oposição à potência da morte. Beuys era piloto do exército alemão na Segunda Guerra. Após o revés, decide tornar-se artista!
Beuys utilizou muita gordura e feltro - material constante em suas obras. Sua experiência "na floresta", revolucionou sua vida!
Todos passamos por situações limite em um momento ou outro da vida. As diferenças entre as pessoas se manifestam bem aí: uns se fortalecem e amadurecem para a vida. Outros definham, ficam profundamente traumatizados ou tornam-se frustrados, infantilizados e amargurados, presos à rede emaranhada de uma vivência ruim.
Nestas circunstâncias, a estrutura psíquica será fundamental para definir o rumo de cada um.
"Ser uma revolução" não é tarefa simples. Exige de cada um profunda reflexão sobre valores, princípios, contradições e coerências. Porém, é a maior revolução: a revolução de si!
Quando Joseph Beuys propõe a criação de uma UNIVERSIDADE LIVRE, penso que a proposta vai na direção de que cada um saia de sua zona de conforto e se lance no embate, com suas mais profundas convicções. E, desfrutando da liberdade de experimentar a sua própria criatividade, possa se tornar um agente revolucionário.
As reflexões deste grupo de que tenho participado (de forma parcial) gira em torno de três eixos: criatividade, revolução e utopia. Quanta coisa para pensar! Uma delas passa pela reflexão sobre aspectos cristalizados dentro de si, imagino!
São muitas idéias girando aqui na caxola... tudo meio confuso. Mas, acho que ainda, muitas outras reflexões surgirão. Para contribuir no percurso pela contínua revolução de si.
Oxalá, que estas revoluções de si sejam importantes nas contribuições sociais dentro dos microssistemas onde estou inserida.
Este, me parece, é um dos pontos cruciais na proposta de Beuys!
CONFIRA - EXPOSIÇÃO - JOSEPH BEUYS: a revolução somos nós
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16/09 a 28/11
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